Giro de leito e custo de oportunidade: o impacto do paciente crônico na operação do hospital
Na gestão hospitalar moderna, o leito é o ativo mais valioso de uma instituição. No entanto, ter 100% de taxa de ocupação nem sempre é sinônimo de sucesso financeiro. Quando esses leitos estão ocupados por pacientes com perfil clínico inadequado para aquele ambiente, a alta ocupação pode, na verdade, mascarar uma grave ineficiência operacional.
Para diretores hospitalares e gestores de fluxo de pacientes, o grande desafio atual não é apenas a superlotação do pronto-socorro, mas o chamado bloqueio de saída.
Pacientes crônicos, ou clinicamente estáveis que aguardam reabilitação, acabam permanecendo por longos períodos nas enfermarias de hospitais terciários (de alta complexidade). Esse cenário afeta diretamente o principal indicador de eficiência da instituição: o giro de leito.
Analisar o impacto econômico e assistencial dessa retenção é fundamental para entender o papel estratégico da desospitalização para clínicas de transição.
O que é o custo de oportunidade na gestão de leitos?
O hospital geral é desenhado, estruturado e precificado para o cuidado agudo. Sua estrutura de custos fixos (corpo clínico 24h, laboratório, centro de imagem, centro cirúrgico) é elevada e sua sustentabilidade depende de rotatividade de pacientes que realmente demandem essa alta tecnologia.
O custo de oportunidade surge quando um leito que poderia gerar alta receita passa a ser utilizado para uma finalidade de baixa margem.
Imagine ocenário:um paciente pós-AVC, já estabilizado, permanece 30 dias na enfermaria recebendo apenas fisioterapia motora básica e recebendo dieta enteral.
Nesse mesmo período, aquele leito poderia ter recebido seis a oito pacientes cirúrgicos (ortopédicos, cardíacos ou oncológicos), que utilizariam o centro cirúrgico e gerariam uma receita e uma margem de contribuição significativamente maiores.
A cada dia que um paciente de longa permanência ocupa um leito agudo, o hospital deixa de exercer sua vocação institucional e, na prática, “paga para trabalhar”.
A matemática da ineficiência: quem paga a conta?
A permanência prolongada do paciente estável no hospital agudo gera um efeito dominó negativo para todos os atores do sistema de saúde:
Para o hospital: além da perda de receita (custo de oportunidade), ocorre a superlotação da emergência, cancelamento de cirurgias eletivas e retenção de pacientes críticos em macas no pronto-socorro por falta de vaga na enfermaria.
Para a operadora de saúde (fonte pagadora): a diária de um hospital terciário embute o custo de toda a sua estrutura de alta complexidade. Manter ali um paciente em reabilitação significa pagar uma diária “premium” por um cuidado que não exige terapia intensiva ou exames de alta complexidade.
Para o paciente: a longa permanência hospitalar aumenta exponencialmente o risco de infecções relacionadas à assistência e acelera a perda de funcionalidade, já que o ambiente hospitalar não favorece mobilidade e recuperação ativa (o ambiente hospitalar não convida ao movimento).
A clínica de transição como válvula de eficiência do sistema
É sob a ótica da eficiência operacional que o mercado de clínicas de transição se consolidou como parceiro estratégico, e não concorrente, do hospital geral.
Funcionam como uma verdadeira “válvula de descompressão” (o chamado modelo step-down). Sua estrutura de custos é otimizada justamente para a média e longa permanência, pois não carrega os custos de um centro cirúrgico ou emergência aberta.
O ganho de eficiência no ecossistema é claro:
- Liberação de ativos: o hospital transfere o paciente estável e imediatamente libera o leito para a sua atividade principal (diagnóstico e intervenção), melhorando o giro de leito e a margem de contribuição.
- Redução da sinistralidade para a operadora: a fonte pagadora direciona o paciente para um local onde a diária é significativamente mais adequada à complexidade do caso.
- Ganho assistencial: o paciente é tratado em um ambiente focado em reabilitação intensiva, sem o risco inerente do ambiente hospitalar e sem a urgência da alta precoce que impera nos hospitais agudos.
A inteligência no fluxo do paciente
Em um cenário de margens cada vez mais estreitas na saúde suplementar, a gestão de leitos deixou de ser apenas um processo assistencial para se tornar o coração da estratégia financeira dos hospitais.
Hospitais eficientes compreenderam que não precisam (e não devem) fazer de tudo.
A transferência oportuna do paciente crônico e em reabilitação para uma clínica de transição não é apenas o protocolo correto; é a decisão gerencial que garante a sustentabilidade financeira da instituição e mais segurança ao paciente.
E, cada vez mais, será esse entendimento que diferenciará hospitais que apenas operam daqueles que realmente gerenciam seu fluxo com inteligência.
As 5 tendências do mercado de clínicas de transição para 2026
Por Carlos Costa
CEO da Suntor Clínica de Transição
O mercado de cuidados de transição no Brasil deixou de ser uma aposta promissora para se consolidar como uma peça estratégica na engrenagem do sistema de saúde. Se os últimos anos foram marcados pela consolidação do conceito, com intenso esforço de educação do mercado sobre a diferença entre clínicas de transição, residenciais sênior (ILPI) e serviços de home care, o ciclo que se aproxima aponta para um novo patamar: a sofisticação do modelo assistencial, da governança clínica e da gestão integrada do cuidado.
Ao olhar para o horizonte de 2026, torna-se evidente que a simples oferta de leitos de retaguarda já não será suficiente para garantir relevância e competitividade. O setor avança rapidamente em direção à especialização assistencial, à integração com políticas públicas de saúde e assistência social, à saúde baseada em valor e ao uso estratégico de tecnologias avançadas, com destaque para a Inteligência Artificial.
Nesse contexto, identifiquei quatro tendências estruturantes que deverão definir os líderes do mercado de clínicas de transição de cuidados em 2026.
A era da hiperespecialização das linhas de cuidado
O modelo de clínica generalista, que atende “qualquer paciente pós-alta”, tende a perder espaço. Em seu lugar, ganha força a criação de unidades altamente especializadas, organizadas por linhas de cuidado bem definidas e baseadas em protocolos clínicos validados.
Tenho observado que operadoras de saúde e hospitais já não buscam apenas parceiros que “recebam” pacientes, mas instituições capazes de entregar resultados clínicos consistentes em nichos específicos, com previsibilidade assistencial, redução de eventos adversos e controle de custos.
Como tendência clara para os próximos anos, vejo o surgimento de alas ou unidades dedicadas exclusivamente a:
- Reabilitação neurointensiva, com foco em AVC e traumatismo cranioencefálico, incorporando robótica, tecnologias assistivas e protocolos avançados de neuroplasticidade;
- Reabilitação cardiopulmonar, voltada à recuperação de pacientes após eventos cardiovasculares e respiratórios, como insuficiência cardíaca, arritmias graves, síndrome coronariana aguda, Pós-COVID e doenças pulmonares crônicas, principais causas de mortalidade e perda funcional no país;
- Ortopedia geriátrica, com protocolos de recuperação acelerada e segura no pós-operatório de próteses de quadril e joelho, reduzindo tempo de internação hospitalar e risco de reinternações;
- Cuidados paliativos oncológicos, com assistência especializada a pessoas com doenças ameaçadoras da vida, progressivas ou sem possibilidade de cura, focada no manejo qualificado de sintomas complexos, no conforto, no planejamento antecipado de cuidados e no suporte à família.
A hiperespecialização permite à clínica negociar modelos de remuneração mais avançados, pois passa a demonstrar maior previsibilidade clínica, melhores desfechos e redução de eventos adversos e reinternações.
Saúde baseada em valor como regra, não exceção
Até 2025, modelos de pagamento por performance ou pacotes fechados atrelados à remuneração baseada em valor ainda avançavam de forma pontual e experimental. Para 2026, avalio que a tendência é inequívoca: o pagamento por serviço (conta aberta) tende a se tornar obsoleto para cuidados de longa permanência e transição.
As clínicas de transição precisarão estar preparadas para operar em modelos de risco compartilhado, assumindo compromissos explícitos com resultados clínicos e assistenciais. Tenho acompanhado um movimento crescente das fontes pagadoras (seguradoras e operadoras de planos de saúde) no sentido de exigir que a clínica responda não apenas pelo cuidado prestado, mas pelo impacto real desse cuidado ao longo da jornada do paciente.
Na prática, saúde baseada em valor não se sustenta em discurso, mas em métricas capazes de demonstrar economicidade com segurança clínica. Quando o cuidado é organizado, o desperdício diminui: menos dias de internação hospitalar e menos reinternações significam menor custo assistencial para as operadoras, sem perda de qualidade, continuidade ou desfecho clínico.
Nesse cenário, a “alta médica” deixa de ser o principal indicador de sucesso. A meu ver, a métrica de ouro de 2026 será a taxa de não reinternação em 30 ou 60 dias, associada à estabilidade clínica, funcional e social do paciente após a alta.
As clínicas capazes de reduzir reinternações, tempo total de hospitalização e eventos evitáveis ocuparão posição estratégica e serão melhor remuneradas.
Estrutura preparada para a alta complexidade clínica
Uma tendência inevitável é a alta hospitalar cada vez mais precoce. Pressionados por demanda, custos e escassez de leitos, os hospitais transferirão pacientes ainda clinicamente complexos para serviços de transição.
Tenho convicção de que o “paciente de transição” de 2026 será significativamente mais desafiador do que o atual. Isso exigirá que as clínicas deixem de ser vistas como espaços de “repouso e fisioterapia” e passem a operar como ambientes de cuidado avançado, com estrutura robusta de suporte à vida.
Esse nível de complexidade não se enfrenta com modelos teóricos importados ou soluções genéricas. Exige maturidade operacional, equipes experientes e decisões clínicas e assistenciais tomadas diariamente em ambiente real, com risco assistencial, responsabilidade econômica e impacto direto no sistema de saúde.
Esse movimento traz implicações claras:
- O fim da baixa complexidade: clínicas focadas apenas em casos leves tendem a perder relevância. O mercado exigirá capacidade para receber pacientes em desmame ventilatório, em diálise peritoneal, com necessidade de antibioticoterapia prolongada, manejo de feridas complexas e múltiplas comorbidades.
- Equipe médica 24 horas: a presença contínua de médicos hospitalistas e intensivistas deixará de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito mínimo de segurança, exigido pelas operadoras para autorizar a transferência de pacientes críticos ou instáveis.
Nesse contexto, a clínica de transição se consolida, em minha avaliação, como o ambiente seguro para pacientes que são complexos demais para casa, mas estáveis demais para a UTI.
Cuidados continuados, desospitalização humanizada e articulação com a assistência social
Percebo que, a partir de 2026, as clínicas de transição precisarão apoiar ativamente o sistema de saúde na redução da complexidade assistencial hospitalar, especialmente no cuidado a pacientes crônicos com elevado grau de dependência funcional e vulnerabilidade social.
Esse movimento se alinha à lógica dos Cuidados Continuados, amplamente adotada em experiências internacionais exitosas, como em Portugal, Reino Unido e Canadá, onde as unidades de transição atuam como componente estruturante da desospitalização humanizada, da reinserção comunitária e da articulação entre saúde e assistência social.
Nesses modelos, a clínica de transição não apenas recebe o paciente após a alta hospitalar, mas atua de forma ativa na:
- adaptação do indivíduo e de sua família às limitações funcionais irreversíveis;
- capacitação para a continuidade do cuidado no domicílio ou em serviços comunitários;
- estabilização clínica de condições de baixa e média complexidade em pacientes idosos e/ou crônicos;
- redução de internações sociais prolongadas, hoje um dos principais gargalos do sistema de saúde.
Essa atuação exige instituições que conheçam, na prática, os desafios do SUS, da saúde suplementar e da interface com a assistência social, operando em escala e com responsabilidade compartilhada. Trata-se menos de conceber modelos ideais e mais de sustentar, no cotidiano, soluções viáveis para pacientes complexos, famílias vulneráveis e sistemas pressionados.
Vejo essa atuação como uma das maiores fronteiras de expansão e legitimidade institucional das clínicas de transição no Brasil, especialmente em diálogo com políticas públicas e com o SUS.
Inteligência Artificial como vetor emergente de eficiência, segurança e sustentabilidade
Outro aspecto central, ainda em fase de implantação e maturação, mas com enorme potencial, é o início do uso estruturado da Inteligência Artificial nas unidades de transição de cuidados.
A IA pode se tornar uma ferramenta estratégica no suporte à decisão clínica e na aderência a protocolos, na otimização do tempo das equipes assistenciais e administrativas, no fortalecimento da segurança jurídica e da padronização documental, na melhoria da experiência do paciente e da família, bem como na alavancagem de receitas e na redução de custos operacionais.
Experiências internacionais demonstram que soluções baseadas em IA vêm sendo utilizadas para a previsão de risco de reinternação, estratificação de pacientes crônicos, planejamento de alta e monitoramento remoto pós-alta, ainda que, na maioria dos sistemas, essas soluções se encontrem em fase de implantação, validação e escalonamento.
Acredito que as clínicas de transição que iniciarem essa jornada de forma ética, regulada e integrada à governança clínica sairão à frente, transformando dados em valor assistencial e econômico.
O perfil do gestor em 2026
O cenário para 2026 é promissor, porém exigente. O mercado de transição deixará definitivamente de ser espaço para improviso ou gestões amadoras. Entendo que sobreviverão e crescerão as instituições capazes de unir calor humano na assistência com frieza analítica na gestão, combinando cuidado centrado no paciente, uso inteligente de dados, controle rigoroso de custos e governança clínica sólida.
A clínica de transição do futuro será especializada, integrada ao sistema de saúde e assistência social, tecnologicamente orientada e, acima de tudo, resolutiva.
Sobre o autor
Carlos Costa é CEO da Suntor Clínica de Transição. Com mais de 16 anos de experiência em gestão de serviços de saúde, é referência nacional em transição de cuidados, inovação assistencial e sustentabilidade do setor. Especialista em gestão de serviços de saúde, atua como colaborador técnico da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais e liderou o primeiro credenciamento nacional de um hospital de transição junto ao Ministério da Saúde.
Pós-operatório oncológico: o papel das Clínicas de Transição no combate ao câncer
O Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado anualmente em 27 de novembro, reforça a importância de todas as etapas do tratamento oncológico. Quando o câncer exige uma cirurgia de grande porte — como a retirada de parte do estômago, pulmão ou intestino —, o paciente inicia uma nova etapa do tratamento. É nesse momento que as Clínicas de Transição assumem um papel fundamental.
O desafio da recuperação e a reabilitação necessária
A fase pós-operatória de cirurgias oncológicas é delicada e exige atenção especial. O corpo precisa reaprender funções básicas, e a mente precisa se adaptar ao processo de reabilitação. A experiência mostra que a recuperação após cirurgias extensas vai além da cicatrização.
Reaprender a respirar, caminhar, alimentar-se e retomar o controle sobre o próprio corpo é parte essencial do tratamento, etapa que exige acompanhamento contínuo, ambiente seguro e atuação conjunta de profissionais de diferentes especialidades.
A força das terapias integradas no pós-operatório
As Clínicas de Transição promovem terapias integradas para acelerar a reabilitação após cirurgias extensas no tratamento do câncer. Pesquisas internacionais recentes reforçam a importância desse acompanhamento.
Um estudo publicado em 2024 na Journal of Clinical Oncology, da Associação Americana de Oncologia Clínica, mostrou que programas estruturados de reabilitação física após cirurgias oncológicas reduziram em até 40% o tempo de internação e melhoraram a capacidade funcional nas semanas seguintes. Além disso, intervenções com fisioterapia, nutrição e apoio psicológico:
- Ampliam a força muscular.
- Reduzem complicações pulmonares.
- Favorecem o retorno às atividades diárias.
Essa coordenação entre especialidades melhora a respiração e antecipa a recuperação funcional.
O cuidado multidisciplinar e o retorno à autonomia
O sucesso da reabilitação depende da integração entre diferentes áreas. A equipe multiprofissional, composta por fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos, trabalha junta desde o início.
A reabilitação também envolve o equilíbrio emocional, fundamental para a adesão ao tratamento. O suporte mental contribui tanto para o bem-estar do paciente quanto da família. Quando a pessoa sente que está recebendo cuidados integrados — físicos, nutricionais e psicológicos —, a ansiedade diminui e a confiança no processo aumenta. Isso reflete diretamente nos resultados.
Com uma equipe multidisciplinar, as Clínicas de Transição reduzem complicações e aceleram o retorno à autonomia após o pós-operatório. Elas se posicionam como um elo estratégico no combate ao câncer, garantindo que a recuperação funcional e emocional seja completa antes do retorno à vida domiciliar.
Alta demanda leva clínica de transição a expandir após um ano de funcionamento
Em pouco mais de um ano de atividade, a Suntor Clínica de Transição, em Belo Horizonte, alcançou resultados que confirmam a necessidade crescente de serviços especializados em cuidados pós-hospitalares.
Nesse período, a instituição registrou mais de 9 mil atendimentos-dia e operou com média de 95% de ocupação, chegando a alcançar os 100% em determinados meses. O desempenho expressivo levou a diretoria a antecipar a estruturação de um plano de expansão que inclui tanto a abertura de uma nova unidade quanto a ampliação da estrutura já existente.
A clínica de transição, que hoje conta com 60 leitos ativos, aposta em um modelo de atendimento voltado para pacientes que necessitam de reabilitação clínica, recuperação pós-operatória e cuidados paliativos. Segundo o CEO Carlos Costa, a procura superou todas as expectativas iniciais e demonstrou que o setor de saúde demanda alternativas capazes de aliviar a pressão sobre os hospitais gerais. Ele destaca ainda que a Suntor vem alcançando indicadores importantes: taxa de readmissão inferior a 2%, redução do tempo de permanência em hospitais e sucesso em procedimentos que garantem menores taxas de eventos adversos pós-alta, além de maior autonomia e qualidade de vida aos pacientes, como o desmame de ventilação mecânica, de sondas alimentares e de traqueostomias.
Os planos de expansão envolvem não apenas novos leitos, mas também o fortalecimento do atendimento ambulatorial na clínica de transição. Entre as iniciativas anunciadas, está a criação do Pronto Amparo, disponível 24 horas por dia todos os dias da semana, para atendimento especializado para pacientes em cuidados paliativos e pacientes idosos com demandas clínicas de baixa e média complexidade não precisam mais ser direcionados a pronto atendimento de hospitais de alta complexidade, reforçando o caráter humanizado e multidisciplinar do trabalho da clínica. Visando a prevenção de hospitalização de pacientes portadores de lesões crônicas complexas, a Suntor lançou o Serviço de Terapia Hiperbárica, incorporado ao seu Centro de Tratamento Intensivo de Feridas Crônicas Complexas. Além, do Serviço de Toxina Botulínica, com foco em reabilitação de pacientes portadores de sequelas incapacitantes e condições crônicas, tem como objetivo auxiliar no controle da dor, na melhora funcional e na qualidade de vida dos pacientes, utilizando a toxina botulínica com indicações exclusivamente terapêuticas. Outro destaque é o credenciamento junto a mais de 30 operadoras de saúde, incluindo algumas das maiores do país, além das parcerias estabelecidas com hospitais que já encaminham pacientes para continuidade do cuidado em ambiente adequado.
Além do desempenho assistencial, a Suntor tem buscado consolidar sua posição institucionalmente. A clínica participa do programa Valora Minas, do governo estadual, e atua em articulação com o Ministério da Saúde, ANS e Anvisa para que o modelo de cuidado de transição seja incorporado de forma mais ampla ao sistema de saúde brasileiro. Para a direção, esse diálogo é fundamental para garantir que a expansão seja acompanhada de avanços regulatórios capazes de beneficiar todo o setor.
Com a nova fase de crescimento, a Suntor Clínica de Transição reforça sua missão de oferecer cuidados pós-hospitalares de excelência, unindo tecnologia, equipe especializada e atendimento humanizado. A expectativa é que a ampliação garanta maior acesso da população a serviços que já se mostraram decisivos para a recuperação e qualidade de vida de pacientes que necessitam de suporte após a alta hospitalar.
Além da cirurgia: o que o caso Faustão revela sobre a fase mais crítica do transplante
Quando um caso como o do apresentador Fausto Silva — submetido a transplantes de alta complexidade — chega ao noticiário, o foco costuma recair sobre a proeza cirúrgica. É natural que se celebrem os avanços e a precisão do procedimento. Mas, para quem vive a realidade de um transplante, o maior desafio começa depois: na volta para casa. É um momento silencioso, longe das câmeras, mas decisivo para o sucesso ou fracasso do tratamento.
Faustão ainda não recebeu alta, mas já foi extubado e, segundo a família, apresenta melhora. Sua recuperação não incluiu, até aqui, uma unidade de transição de cuidados, mas seu caso ilustra com clareza os obstáculos que esses centros buscam enfrentar. Assim como ele, milhares de pacientes no Brasil — foram 9.261 transplantes de órgãos sólidos realizados em 2024, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes — enfrentam um período de alta vulnerabilidade após deixarem o ambiente hospitalar.
O risco é considerável: dados internacionais indicam que até 30% dos transplantados podem precisar de reinternação no primeiro mês pós-alta, e estudos nacionais mostram que essa taxa se mantém elevada durante todo o primeiro ano. Por mais cuidadosos e empenhados que sejam, paciente e família não possuem, sozinhos, a formação técnica necessária para lidar com essa fase. Entre o cuidado intensivo do hospital e a autonomia exigida em casa, há um vazio assistencial.
É justamente para preencher essa lacuna que existem as clínicas de transição: espaços intermediários que oferecem segurança e treinamento para a nova etapa. O foco deixa de ser apenas a recuperação física e passa a incluir a capacitação para o autocuidado.
Dentro dessas clínicas, a adaptação é prática e orientada:
- Farmacêuticos e enfermeiros transformam listas complexas de medicamentos em rotinas claras, explicando a função e a importância de cada dose.
- Fisioterapeutas elaboram programas de exercícios que devolvem força e confiança ao paciente.
- Nutricionistas adaptam as restrições médicas para cardápios viáveis e saborosos, ensinando preparo e higiene adequados.
- Médicos e equipe de enfermagem treinam o reconhecimento de sinais precoces de alerta — febre baixa, inchaço incomum — e a resposta imediata para evitar complicações graves.
O impacto é mensurável: programas de cuidado transicional podem reduzir em até 50% as chances de reinternação, diminuindo custos para o sistema de saúde e garantindo mais segurança ao paciente.
A medicina brasileira já realiza transplantes com excelência reconhecida. O caso Faustão lembra disso — mas também deixa claro que a vitória cirúrgica não encerra a batalha. O futuro da medicina de alta complexidade não está apenas em executar procedimentos de ponta, mas em construir pontes de cuidado que transformem o sucesso hospitalar em qualidade de vida duradoura.
O déficit crítico de cuidados pós-agudos no Brasil
A alta hospitalar deveria ser um momento de alívio e o início da fase final de recuperação. No entanto, para milhares de brasileiros e suas famílias, ela representa o começo de um período de incerteza, ansiedade e cuidados inadequados. O motivo é um gargalo estrutural e frequentemente ignorado no sistema de saúde do país: a carência de leitos e serviços de cuidados pós-agudos, também conhecidos como cuidados de transição.
Esses serviços são a ponte essencial entre a alta complexidade do hospital e o retorno seguro do paciente para casa. Englobam reabilitação intensiva, cuidados de enfermagem especializados e acompanhamento para pacientes que já não necessitam de um leito de UTI ou de internação convencional, mas ainda não estão prontos para a autonomia completa.
Uma análise de 2023, realizada com dados do Painel Anahp e da Global Health Intelligence, expõe a dimensão alarmante desse déficit e posiciona o Brasil em uma situação de extrema desvantagem no cenário internacional.
A realidade dos números
Os números que expõem essa lacuna servem como um alerta vermelho para a saúde brasileira. O levantamento revela uma estrutura precária ao comparar a oferta de leitos de cuidados pós-agudos em relação ao total de leitos hospitalares no país.
- No Brasil, existem apenas 11 leitos de cuidados pós-agudos para cada 1.000 leitos hospitalares.
Este número se torna ainda mais crítico quando confrontado com a realidade de outras nações:
- Nos EUA, a proporção é de 1.800 leitos para 1.000.
- Na Alemanha, a relação é de 330 para 1.000.
- O Canadá conta com 230 para 1.000.
- Até mesmo países como Portugal e Espanha apresentam taxas muito superiores, com 190/1.000 e 111/1.000, respectivamente.
Enquanto nações desenvolvidas consolidaram a transição de cuidados como uma etapa fundamental da jornada do paciente, o Brasil opera com uma infraestrutura quase inexistente, contando com apenas 4.696 leitos pós-agudos em um universo de mais de 427 mil leitos hospitalares.
As causas de um sistema interrompido
Esse abismo não surgiu por acaso. Ele é o sintoma de um modelo de saúde historicamente focado no tratamento da doença aguda, com pouca atenção e investimento na continuidade do cuidado. As principais causas incluem:
- Modelo de remuneração: o sistema de saúde, tanto público quanto privado, remunera majoritariamente por procedimentos e diárias em ambiente hospitalar agudo, desincentivando a criação de estruturas de menor complexidade e custo, como as unidades de transição.
- Cultura hospitalocêntrica: a saúde no Brasil ainda é centrada na figura do hospital. A desospitalização segura e bem planejada não é vista como uma prioridade estratégica.
- Falta de políticas públicas: há uma carência de políticas nacionais e de diretrizes claras que fomentem, regulem e financiem os cuidados de transição, deixando o setor em um limbo regulatório e de investimentos.
As graves consequências da inação
A falta de uma ponte segura entre o hospital e a casa gera um ciclo vicioso com impactos severos para todos os envolvidos:
- Para os pacientes: recebem altas precoces e sem o suporte necessário, resultando em piores desfechos clínicos, sequelas permanentes e uma queda drástica na qualidade de vida.
- Para os hospitais: sofrem com a “síndrome do leito bloqueado”, onde pacientes clinicamente estáveis continuam a ocupar leitos caros e de alta complexidade por falta de um local adequado para onde ir. Isso gera superlotação, aumenta os custos e eleva o risco de infecções hospitalares.
- Para o sistema de saúde: enfrenta taxas altíssimas de reinternação – muitas vezes por complicações que poderiam ser evitadas com reabilitação adequada. Estima-se que as reinternações custem bilhões ao SUS e à saúde suplementar anualmente.
- Para as famílias: a responsabilidade pelo cuidado recai sobre familiares, na maioria das vezes mulheres, que não possuem treinamento técnico, gerando sobrecarga física, emocional e financeira.
Caminhos para a mudança
Reverter esse cenário é urgente e exige uma ação coordenada. As soluções passam por:
- Mudança no modelo de remuneração: adotar modelos baseados em valor, que premiem o desfecho clínico e a recuperação do paciente, e não apenas a quantidade de procedimentos realizados.
- Criação de linhas de cuidado: desenvolver políticas públicas que integrem o cuidado agudo, a transição e o atendimento domiciliar (home care) em uma jornada fluida para o paciente.
- Incentivo a iniciativas: fomentar a criação de Unidades de Transição, como estruturas independentes, e fortalecer os serviços de atendimento domiciliar especializado.
O déficit brasileiro em cuidados pós-agudos é mais do que uma estatística; é um abismo silencioso que engole a qualidade de vida de pacientes, sobrecarrega famílias e drena recursos preciosos do sistema de saúde. Os dados são claros e o exemplo internacional mostra que outro caminho é possível. Ignorar este problema é condenar o Brasil a um sistema de saúde permanentemente congestionado, ineficiente e, acima de tudo, desumano com aqueles em seu momento de maior vulnerabilidade. A hora de construir essa ponte para o futuro do cuidado é agora.
Clínicas de transição de cuidados: impacto mensurável na eficiência e nos custos da saúde
No complexo ecossistema da saúde, onde a otimização de recursos e a sustentabilidade financeira são imperativos, as clínicas de transição de cuidados consolidam-se como uma solução estratégica de alto impacto. Para operadoras, hospitais e gestores, este modelo assistencial oferece uma resposta concreta aos desafios de custos crescentes e à necessidade de melhores desfechos clínicos. Os dados do setor demonstram, de forma inequívoca, que investir em uma transição de cuidados bem gerenciada não é uma despesa, mas um investimento com retorno mensurável.
O ponto mais crítico e oneroso na jornada do paciente é, frequentemente, o período pós-alta hospitalar. É nessa fase que as reinternações -muitas vezes evitáveis – representam um custo financeiro significativo e comprometem a eficiência do sistema. É exatamente nesse cenário que as clínicas de transição demonstram seu maior valor. Análises de programas de gerenciamento de cuidados de transição (TCM), metodologia central dessas unidades, apontam para uma redução de até 86,6% nas chances de reinternação. Esse indicador, validado em múltiplos estudos, como o conduzido pela Universidade de Kentucky, traduz-se diretamente em eficiência e economia, considerando que o custo médio de uma única reinternação pode ultrapassar os 14 mil dólares em alguns mercados internacionais.
Além disso, a atuação dessas clínicas vai além da simples prevenção de novos episódios de hospitalização. O acompanhamento estruturado também impacta positivamente a mortalidade. Um estudo com beneficiários do sistema público de saúde dos Estados Unidos (Medicare) demonstrou que o TCM foi capaz de reduzir a taxa de mortalidade de 1,6% para 1% no período crítico entre 31 e 60 dias após a alta hospitalar. No mesmo intervalo, os pacientes acompanhados pelo programa apresentaram uma redução de 11% nos gastos totais com saúde, evidenciando o duplo benefício: mais vidas preservadas e maior racionalização de recursos. A implementação de protocolos como o planejamento detalhado da alta, a reconciliação rigorosa de medicamentos e a educação contínua do paciente são essenciais para alcançar esses resultados.
Do ponto de vista financeiro, a proposta de valor é clara. A prevenção de visitas a serviços de emergência e de reinternações gera uma economia direta e significativa. Um estudo específico com pacientes submetidos à cirurgia colorretal estimou que um acompanhamento pós-alta bem estruturado poderia gerar uma economia anual de até 49 milhões de dólares em escala nacional nos Estados Unidos. Para as fontes pagadoras, isso representa uma redução da sinistralidade e um alinhamento com os princípios do cuidado baseado em valor, em que o foco está no desfecho clínico e na qualidade de vida do paciente, e não apenas no volume de procedimentos realizados.
O perfil dos pacientes atendidos em unidades de referência no Brasil, como a Rede Paulo de Tarso, evidencia a alta complexidade dos casos e a necessidade de um cuidado especializado. Com um percentual significativo de pacientes em uso de via de alimentação enteral e índices de desnutrição que chegam a 74% entre os pacientes em cuidados paliativos, torna-se evidente que o ambiente hospitalar de agudos não é o mais adequado para a reabilitação em longo prazo. Da mesma forma, o domicílio, na maioria das vezes, não está preparado para atender às exigências clínicas e assistenciais dessa complexidade.
Apesar da eficácia amplamente comprovada, a subutilização dos serviços estruturados de transição de cuidados ainda é uma realidade. Estima-se que milhões de pacientes elegíveis deixem de receber esse tipo de assistência todos os anos. Essa lacuna representa uma oportunidade estratégica para que as clínicas de transição se posicionem como parceiras fundamentais na cadeia da saúde, oferecendo uma solução que gera valor para todos os envolvidos: o paciente recebe um cuidado mais seguro e resolutivo; o hospital consegue otimizar a ocupação de seus leitos de alta complexidade; e a operadora de saúde reduz os custos totais do tratamento. Trata-se de um modelo assistencial e de negócio no qual todos os atores compartilham dos resultados positivos.
Transição de cuidados em pauta: CAD 2025 destaca desafios regulatórios e segurança jurídica no setor
Nos dias 22 e 23 de maio, o Congresso de Atenção Domiciliar e Transição de Cuidados (CAD 2025) será palco de discussões importantes sobre os caminhos para uma transição segura e eficiente entre os diferentes níveis de cuidado em saúde.
Entre os destaques da programação, está a participação de Carlos Costa, CEO da Suntor, e Flávio Oliveira, Diretor de Inteligência de Negócio da Suntor, que trarão reflexões sobre a necessidade de maior clareza regulatória e segurança jurídica na transição de cuidados — uma etapa crítica para a continuidade da assistência, especialmente em modelos que integram hospitais, unidades de transição e atenção domiciliar.
Com base na experiência da Suntor em inovação e gestão em saúde, a palestra abordará os desafios para a regulamentação e segurança jurídica na transição de cuidados.
Além disso, o CAD 2025 contará com painéis sobre tecnologias emergentes, modelos de financiamento e o papel das unidades de transição na articulação entre alta hospitalar e cuidado continuado.
O evento reúne especialistas, gestores e formuladores de políticas públicas que estão construindo, na prática, o futuro da transição de cuidados no Brasil.
Saiba mais sobre o evento no site oficial da Hospitalar (hospitalar.com).
Como a reabilitação personalizada acelera a recuperação após internações prolongadas
Longas internações hospitalares podem marcar um antes e depois na vida de um paciente. Fraqueza muscular, dificuldade de locomoção e impacto emocional são consequências frequentes para quem passou dias ou semanas no leito. Mas a boa notícia é que a reabilitação personalizada tem se mostrado uma poderosa aliada para acelerar a recuperação e devolver a autonomia a esses pacientes.
Por que internações prolongadas exigem mais atenção
Estudos indicam que a imobilidade hospitalar pode desencadear a chamada síndrome do imobilismo, levando à perda de massa muscular (sarcopenia), redução da capacidade cardiorrespiratória e risco aumentado de complicações como úlceras por pressão e tromboses. Pacientes idosos são especialmente vulneráveis, com risco elevado de perda da independência após uma internação (Covinsky et al., 2003).
O diferencial da reabilitação personalizada
Ao contrário de programas genéricos, a reabilitação personalizada é construída sob medida. Leva em conta o diagnóstico do paciente, sua condição física antes da internação, limitações atuais e, principalmente, seus objetivos de vida. Diretrizes da American Physical Therapy Association (APTA) mostram que planos individualizados são mais eficazes, especialmente após AVCs, fraturas e permanências prolongadas em UTI.
Na prática, um paciente que sofreu um AVC, por exemplo, terá um plano focado não só em recuperar a mobilidade, mas também em readquirir habilidades para atividades cotidianas, como se alimentar, vestir-se e caminhar com segurança.
Equipe multiprofissional: a força por trás da recuperação
A reabilitação personalizada é potencializada pela atuação integrada de uma equipe multiprofissional. Fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e médicos unem forças para atender de forma completa cada necessidade do paciente. É essa abordagem global que torna possível uma recuperação mais rápida e efetiva.
Quais são os benefícios comprovados?
- Redução do tempo de recuperação funcional.
- Menor taxa de reinternação hospitalar.
- Melhora da qualidade de vida do paciente e de seus familiares.
- Aumento da independência para atividades do dia a dia.
Quanto antes, melhor
Especialistas recomendam que a reabilitação comece ainda durante a internação e continue em um ambiente especializado, como as clínicas de transição, logo após a alta hospitalar. Essa continuidade é fundamental para manter o progresso e evitar retrocessos.
Mais que um tratamento
Para quem passou por uma internação prolongada, a reabilitação personalizada é mais do que uma etapa do tratamento: é a chave para um novo começo. Ao acelerar a recuperação física e emocional, essa abordagem permite que cada paciente retome sua rotina com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.
O papel da enfermagem na transição de cuidados: apoio essencial à recuperação
A transição de cuidados é uma etapa fundamental no processo de recuperação de pacientes que passaram por internações hospitalares. Em clínicas especializadas em reabilitação e cuidados continuados, a equipe de enfermagem desempenha um papel central para garantir a continuidade do tratamento, a segurança do paciente e a promoção da autonomia funcional.
A transição de cuidados e o papel estratégico da enfermagem
Durante a fase de transição — do hospital para o domicílio ou para uma clínica de transição de cuidados — é comum que o paciente ainda apresente fragilidade clínica e funcional. É nesse contexto que a enfermagem atua de forma integrada, prestando assistência contínua, monitorando sinais vitais, controlando medicações e executando procedimentos essenciais para a estabilidade e o bem-estar do paciente.
Planejamento individualizado e cuidado humanizado
O cuidado prestado pela enfermagem vai além da técnica. A atuação é pautada em planos terapêuticos individualizados, construídos de forma colaborativa com a equipe multiprofissional. Isso significa considerar as necessidades físicas, emocionais e sociais de cada paciente, respeitando suas particularidades e objetivos de reabilitação.
Essa abordagem personalizada é essencial para pacientes em recuperação de eventos como AVE, fraturas, cirurgias complexas, doenças crônicas ou quadros clínicos que exigem suporte prolongado.
Capacitação da família e dos cuidadores
A continuidade dos cuidados no ambiente domiciliar exige preparo adequado. Por isso, a enfermagem tem papel educativo fundamental na orientação de familiares e cuidadores. Isso inclui instruções práticas sobre administração de medicamentos, prevenção de quedas, prevenção das lesões por pressão, manuseio de dispositivos médicos e cuidados com a higiene e a alimentação.
A capacitação dos cuidadores/familiares ajuda a prevenir complicações e reduz significativamente o risco de reinternações e eventos adversos.
Integração com a equipe transdisciplinar
A efetividade da transição de cuidados depende da atuação coordenada entre diferentes áreas da saúde. A enfermagem atua lado a lado com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, psicólogos e médicos, garantindo que o paciente receba um atendimento completo e centrado na sua recuperação.
Essa integração é essencial para alcançar metas de reabilitação e proporcionar ganhos reais de autonomia e qualidade de vida.
Enfermagem como agente de humanização
Mais do que executar protocolos, os profissionais de enfermagem promovem vínculo, escuta ativa e acolhimento. O cuidado humanizado é uma das bases do modelo de atenção adotado nas clínicas de transição, proporcionando ao paciente e à sua família segurança e confiança em todas as etapas do processo.
A enfermagem promove autonomia
O papel da enfermagem na transição de cuidados é determinante para o sucesso da recuperação de pacientes em reabilitação. Com atuação técnica, humanizada e integrada, a equipe de enfermagem assegura a continuidade do tratamento, promove autonomia e fortalece a relação entre o cuidado profissional e o ambiente familiar.
Investir em estruturas especializadas e em equipes qualificadas é essencial para oferecer um cuidado seguro, eficaz e verdadeiramente transformador.