Cuidados continuados integrados: como atender às necessidades dos idosos

Por clinicadetransicao

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11.06.2024 às 18h39m

Felizmente, com os avanços da ciência, estamos vivendo mais. Por outro lado, o envelhecimento da população tem aumentado a importância dos cuidados continuados integrados (CCI) para idosas e idosos no país. Esse modelo de atenção permite atender, a partir da atuação de uma equipe transdisciplinar, às necessidades desse público de forma abrangente e coordenada.

Os CCI e as clínicas de transição de cuidados estão fortemente relacionados. As clínicas contribuem decisivamente para melhorar a jornada do paciente depois que um evento agudo foi estabilizado e a permanência em um hospital de alta complexidade não é o mais indicado, mas ainda é necessária adaptação para o retorno domiciliar. 

Neste artigo, entenda melhor o que são os cuidados continuados integrados e como eles contribuem para melhorar a qualidade de vida de pacientes na terceira idade.

O que são cuidados continuados integrados (CCI)

“Falar de cuidados continuados integrados significa falar de um modelo que se baseia no cuidado de saúde que se inicia em uma fase terapêutica, por exemplo, uma internação, e acompanha a evolução do paciente por todas as etapas, até o pós-alta”, resume o Diretor Médico na Clínica de Transição Paulo de Tarso, Bruno Versiani. 

É uma abordagem “continuada” justamente por ser contínua e coordenada pelas diversas etapas do tratamento: desde acolhida, diagnóstico, prognóstico, recuperação, alta e pós-alta. Além disso, é “integrada” porque essa continuidade se baseia na integração entre todos os pontos da rede de saúde por onde o paciente passa: operadora, prestador de serviço, hospital, clínica de transição, etc.

Qual a importância dos CCI para idosos em transição de cuidados?

Os pacientes em transição de cuidados, em muitos casos, necessitam de um cuidado mais acentuado em relação à adaptação a uma nova realidade com maior dependência e menor autonomia. No caso dos pacientes idosos isso também se aplica de forma especial. 

“Idosos e idosas podem ter como pessoa de referência um marido ou esposa que também pode estar em um momento de fragilidade. Com a idade avançada, é natural que os cuidados com a saúde se tornem mais complexos. Nesse sentido, o cuidado continuado integrado é importantíssimo. Esse paciente não fica solto”, detalha Versiani. Tanto para pacientes quanto para familiares e cuidadores uma jornada baseada em um plano terapêutico coeso, especializado e coordenado faz toda diferença.

Nesse sentido, os CCI garantem que a transição de cuidados seja feita com continuidade do cuidado, sem interrupções ou rupturas de acompanhamento; com uma abordagem multidisciplinar, a partir do olhar de profissionais de diferentes especialidades em diálogo; um plano terapêutico individualizado e uma preparação mais adequada para o retorno ao lar.

Além disso, os cuidados continuados integrados podem contribuir fortemente para diminuir o risco de reinternação, uma das grandes ameaças para a recuperação de pessoas idosas. 

O papel da clínica de transição de cuidados na oferta de CCI

As clínicas de transição podem contribuir para fortalecer a oferta de cuidados continuados integrados, já que funcionam como um elo entre o hospital de alta complexidade e o retorno ao domicílio. 

Quando essa transição acontece de forma muito abrupta, perde-se a continuidade do tratamento e a família ou cuidadores podem não conduzir da melhor forma o processo de pós-alta.

“Idosas e idosos acabam dependendo mais da presença de familiares e cuidadores. Por isso, uma equipe multidisciplinar, plano de cuidado individualizado e o ambiente mais acolhedor podem contribuir fortemente na recuperação”, afirma Bruno Versiani. Nas clínicas de transição, o gerenciamento de riscos na recuperação e a adaptação à nova realidade daquela ou daquele paciente são centrais no processo.

Desafios e oportunidades para a implementação de CCI em clínicas de transição de cuidados

Entretanto, a implementação de cuidados continuados integrados no sistema de saúde nacional, sobretudo em clínicas de transição de cuidados, ainda enfrenta alguns desafios. Entre eles, a carência de profissionais qualificados para atuar nessa abordagem e, portanto, a necessidade de investimentos para a formação desse corpo técnico.

Mas, esses desafios podem ser enfrentados com a disseminação do entendimento de que os benefícios gerados com o CCI superam, por exemplo, os investimentos necessários. Isso porque a eficiência em termos de economicidade do sistema aumenta, além da satisfação de pacientes e familiares, já que a melhora na qualidade de vida dessas pessoas também é significativa.

Esses resultados são possíveis a partir de parcerias entre os diferentes setores do sistema de saúde, aumentando a integração e buscando alternativas para o financiamento do investimento em formação continuada dos profissionais. 

O futuro dos CCI em clínicas de transição de cuidados

“Nosso principal objetivo precisa ser sensibilizar tanto o Estado quanto as operadoras sobre como as clínicas de transição podem trazer bons resultados”, avalia Versiani. Segundo ele, os CCI são a “alma” do trabalho realizado nas clínicas, que são continuadas e integradas por definição. 

Por isso, pensar na relevância acentuada de uma atenção que acompanhe toda a jornada do paciente para pessoas idosas é pensar no papel crescente dos CCI nas clínicas de transição e, portanto, das próprias clínicas no sistema de saúde, oferecendo um modelo de cuidado ainda mais eficaz e humanizado.

Com o aumento da população de terceira idade nos próximos anos, a tendência é de que mais inovações surjam no trabalho de cuidados continuados integrados. As clínicas de transição são o espaço fértil ideal para aproximar essas novas possibilidades à vida de pacientes que precisam dela, promovendo melhor qualidade de vida e autonomia dessas pessoas.

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